domingo, 19 de maio de 2013

Hieróglifos egípcios

imagetica

Trabalhando com design gráfico tenho de criar representações imagéticas que traduzam uma série de conceitos, valores e significados de modo sintético, seja num logotipo, num pictograma, num grafismo ou numa outra peça. Mas essa atividade humana não é recente, na verdade ela vem desde a Antiguidade.

Sendo também professor de Arte e analisando a História da Arte, no Antigo Egito especificamente, notei que os sistemas de escrita eram bastante sofisticados com relação ao seu design. Um ideograma egípcio (desenho estilizado representando um significado, uma idéia) é chamado de hieróglifo. Mas também são chamados de hieróglifos outros símbolos antigos como dos hititas e maias.

Segundo a Wikipedia:

Hieróglifo é um termo que junta duas palavras gregas: ἱερός (hierós) “sagrado”, e γλύφειν (glýphein) “escrita”. Apenas os sacerdotes, membros da realeza, altos cargos, e escribas conheciam a arte de ler e escrever esses sinais “sagrados”.

A escrita hieroglífica constitui provavelmente o mais antigo sistema organizado de escrita no mundo, e era vocacionada principalmente para inscrições formais nas paredes de templos e túmulos. Com o tempo evoluiu para formas mais simplificadas, como o hierático, uma variante mais cursiva que se podia pintar em papiros ou placas de barro, e ainda mais tarde, com a influência grega crescente no Oriente Próximo, a escrita evoluiu para o demótico, fase em que os hieróglifos iniciais ficaram bastante estilizados, havendo mesmo a inclusão de alguns sinais gregos na escrita.

O linguista francês Jean-François Champollion, que dominava os mais variados idiomas, foi o responsável, em 1822, pela decifração dos hieróglifos egípcios, estudando o enigma estampado numa peça de basalto, a famosa Pedra de Roseta, que continha três versões de um mesmo texto, sendo que uma delas era em grego, língua que conhecia. A partir desse feito, os especialistas compreenderam a complexa estrutura da escrita egípcia.

Aqui estão os 26 hieróglifos do chamado “alfabeto” egípcio, dispostos na ordem convencionada pelos linguistas. São estes os sinais hieroglíficos que mantiveram o seu valor fonético praticamente inalterado durante mais de 3000 anos, desde os tempos pré-dinásticos até ao século 5 d.C.

Veja abaixo também a legenda da tabela.

Hieróglifo e Transliteração Transcrição Valor Sonoro
e outros equivalentes
Código de
Gardiner
A A a em pai
(paragem da glote)
G1
i i semelhante a i em rio M17
y y i em rio M17A
Z4
a a a
(Ayin das línguas semíticas)
D36
w w u em rua G43
Z7
b b b em bota D58
p p p em pá Q3
f f f em faca I9
m m m em mel G17
n n n em noite N35
S3
r r r em trio D21
h h h como na exclamação “Ah!” O4
H H H ligeiramente gutural V28
x x j no espanhol “mujer”
( kh )
Aa1
X X ch no alemão “ich”
( h )
F32
s s s em sete O34
S29
S S ch em chuva
( ch, sh )
N37
q q semelhante a c em cão N29
k k c em cão V31
g g g em gato W11
t t t em tio X1
T T tch ao espirrar “Atchim!”
( tj )
V13
d d d em dado D46
D D dj em adjectivo
( dj )
I10

Como se pode verificar, algumas letras do alfabeto de transliteração são escritas com letras do alfabeto latino. Desta maneira, este alfabeto garante uma utilização mais alargada na maioria das escritas ocidentais atuais, e permite o intercâmbio fácil de textos. Limita-se assim o uso de sinais diacríticos. O quadro seguinte representa as letras do alfabeto de transliteração que não fazem parte do alfabeto latino, e a respectiva transcrição equivalente:

Algumas equivalências entre o alfabeto de transliteração e o alfabeto latino

Em outros casos, existe mais do que um hieróglifo para representar o mesmo valor fonético, como nas letras m, w e s.

Legenda:

Transliteração – alfabeto criado por académicos que constitui uma aproximação dos hieróglifos ao alfabeto latino e adoptado por convenção internacional. Note-se que a maioria das vogais não possui correspondência na língua portuguesa.

Transcrição – equivalência em caracteres ASCII descritos no Manuel de Codage, um conjunto de regras para a troca facilitada de textos egípcios entre usuários de computadores. Evita-se assim o uso dos sinais diacríticos da transliteração, na sua maioria não utilizados nos alfabetos latinos modernos.

Valor Sonoro – pronunciação aproximada da letra na língua portuguesa, quando possível. Na maior parte das letras, puramente convencional.

Outros Equivalentes – outras maneiras comuns de representar a letra nas línguas portuguesa e inglesa, esta última por ser universal na transmissão de textos a nível académico.

Código de Gardiner – código único do hieróglifo, segundo a classificação na Lista de Sinais de Gardiner.

A tabela a seguir mostra os sinais monoconsonantais ou, por assim dizer, alfabéticos, da escrita egípcia. As letras indicam o valor sonoro aproximado de cada figura. O Â indica um som que só existe nas línguas semíticas: é o ayin hebraico. O C soa como em ciência, enquanto que o C soa como em Chile. O H indica um H gutural, enquanto que o H indica um H áspero. O L só apareceu na época ptolomaica. O M também aparecia na forma de um sinal hierático bem simplificado: dois traços horizontais paralelos unidos, à esquerda, por um traço vertical inclinado.

A Â B C
C F G H
H H I J
K L M N
O P Q R
S T T W
Y Z

Pois bem, vejam que a inventividade humana é relacionada à necessidade de resolver problemas do dia a dia. Os designer gráficos de hoje tentam solucionar problemas visuais do cotidiano, seja uma marca de empresa, uma embalagem, um sistema de sinalização, uma revista, um livro etc. Portanto quando você, colega designer, estiver aperreado e empacado para ter uma idéia, lembre-se dos egípcios e da História da Arte. Podem não te dar as respostas mas pelo menos podem inspirá-lo a mudar o foco e perspectiva da demanda visual que tem em mãos.

Garcia Junior.

Fontes: wikipedia, istoé terra, hieróglifos, tioisma, wepwawet


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