Escola

  • Entrevista com Prof. Garcia Junior sobre o ENEM 2015

    Matéria da TV Mirante (filiada da Globo em São Luís MA) sobre o ENEM (Exame Nacional de Ensino Médio) de 2015 feita no Liceu Maranhense (escola pública de Ensino Médio no Maranhão) em que eu, Prof. Garcia Junior, fui entrevistado na Sala de Arte em que leciono sobre preparação e importância do ENEM[bb] para os alunos. A matéria também mostrou professores e alunos da rede particular além de alunos do Liceu Maranhense.

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  • HOME documentário em alta definição

    Adoro documentários. Assisto muito mais documentários do que vejo TV. Na verdade só tenho Tv por assinatura por causa dos canais de documentários. Quem acessa o Blogarte com frequência sabe disso e já deve ter visto minhas dicas por aqui. Com os sites de compartilhamentos de vídeos e de downloads, você acha fácil canais que possuem documentários de excelente qualidade como este que compartilho com vocês leitores.

    Classifico esse documentário chamado HOME (Lar) - União Européia, 2009, 93 min. – Direção: Yann Arthus-Bertrand - como um dos melhores sobre o tema Ciência, Antropologia, Meio-ambiente e Sustentabilidade. Ele é super bem produzido visualmente, como tomadas do espaço, vistas de satélite, de sobrevoos, todas com belíssima fotografia acompanhada pela trilha de Armand Amar. O texto da narração (na voz de Glen Close)  é um dos mais ricos e bem escritos que já vi mostrando desde as origens da vida no planeta e o equilíbrio existente entre as espécies até a atuação do Homo Sapiens, que em apenas 50 anos, dos seus 200 mil anos de existência, está mudando completamente as características da vida no planeta, que existe há 4 bilhões de anos. O Filme clama pela atitude do indivíduo e da união de força dos povos para que ainda possamos salvar o que restou dele.
    Este filme é um alerta e uma declaração de amor ao nosso lar: a Terra.

    Um ambicioso documentário, Home foi lançado no dia 5 de junho de 2009, Dia Mundial do Ambiente, simultaneamente em vários formatos (cinema, DVD, online). Seu impacto teria sido decisivo para vários políticos verdes nas eleições do Parlamento Europeu dois dias depois. Não é para menos. O fotógrafo Yann Arthus-Bertrand vendeu três milhões de cópias de seu livro – A Terra Vista de Cima – desde seu lançamento, em 1999. A versão animada demorou três anos para ser completada, com 217 dias de filmagem em 54 países diferentes.

    O texto é sóbrio, sobre um desfilar de imagens que nos levam ao arrebatamento, quando mostram a natureza ainda em sua pluralidade e dimensão, e ao estarrecimento, como as cenas de uma fazenda de gado nos Estados Unidos onde milhares de vacas se aglomeram em um território onde não se encontra uma única folha de grama – elas estão lá para nos alimentar (nós que consumimos 13 mil litros de água por um quilo de carne) e não para serem alimentadas como um dia foram, em pastos naturais.

    Como um dia foi parece ser a mensagem central do filme, aliada a outra: o que estamos às vias de perder e como. Toda a filmagem foi feita com câmeras montadas em estabilizadores em helicópteros. O resultado busca nos trazer uma concisa história da civilização humana, de suas conquistas mas, principalmente, de seus prováveis custos à nossa sobrevivência. “Nos últimos 50 anos, a Terra foi mais radicalmente modificada do que em todas as gerações humanas no planeta”, lembra a narradora, enquanto a câmera percorre campos, montanhas, megalópolis, aglomerações, fazendas, miséria, desperdício, nosso triste legado ao planeta.

    Há poesia em Home, tanto em palavras como em imagens, e talvez por isso nos sentimos incomodados por uma nostalgia do que verdade nem chegamos a conhecer, e por uma preocupação que agora nos visita cotidianamente, com o noticiário crescentemente refletindo nossos medos. “Esta é a medida de nosso tempo: o relógio de nosso mundo agora bate no ritmo de máquinas infatigáveis” que se valem do poder do sol. A humanidade conquistou o petróleo, e conseguiu transformar um litro dele em 100 horas/homem de trabalho. Agora, a mesma substância que nos trouxe o conforto e o desenvolvimento nos ameaça com a ruína. E ainda assim não paramos e não nos saciamos: hoje imensas extensões de terra usam alimentos para produzir combustível para que as máquinas continuem, infatigáveis.

    Home traz um sem-número de dados alarmantes, principalmente nos textos que rolam pela tela em seu final. Não há muito que seja desconhecido das pessoas que acompanham as notícias sobre o ambiente, mas imagens, como se sabe, são muito poderosas. A música de fundo é incessantemente pungente. Resta o consolo de saber que trabalhos como os de Yann Arthus-Bertrand vêm ganhando maior audiência. O fato de o documentário ter sido bancado pelo grupo PPR, imenso aglomerado de grifes de moda, nos diz também que corporações começam a examinar o território à sua volta e nossos hábitos de consumo sob uma ótica já em processo de mudança – se nos formos, elas também irão. Fonte.

    Aqui você baixa a legenda se quiser salvar do Youtube e ver depois.

     

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  • “Indústria de Talentos – Feira de Profissões” Liceu Maranhense 2012

    Visitação dos alunos da 3ª série matutino 2012 do Centro de Ensino Liceu Maranhense (Rede Pública Estadual do Maranhão) ao evento “Indústria de Talentos – Feira de Profissões” organizado pelo Sistema FIEMA (Federação das Indústrias do Estado do Maranhão) no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana no dia 08 de Agosto de 2012, São Luís – MA. Filmagem, fotos e edição: Garcia Junior.

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  • Oficina de Arte com Angella Schiling

    Visita dos meus alunos da 3ª série Ens. Médio (matutino) 2012 do Centro de Ensino Liceu Maranhense (Rede Pública Estadual) à Galeria de Arte do SESC Deodoro – MA para apreciar a exposição “A vida em ácido e metal”, do “Projeto SESC Amazônia das Artes” da artista plástica e professora Angella Schilling e participar de uma oficina de arte sobre gravura.

    [youtube Qku5KsQZ32A&feature]

     

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  • Exposição Fotográfica e Palestra no Liceu Maranhense

    Na sexta-feira (11/05/2012) realizamos na Escola Liceu Maranhense da Rede Pública de Educação do Estado do Maranhão, com meus alunos da 3ª série do Ensino Médio matutino, uma Exposição Fotográfica tendo como tema um conteúdo das nossas aulas da disciplina Arte – Artes Visuais – os Elementos Básicos da Linguagem Visual. Ao todo foram 28 painéis no formato 40cm x 20cm com 6 fotos cada em que os alunos conseguiram corresponder à pertinência ao tema, à qualidade técnica das fotos e ao olhar inusitado. Este é o primeiro passo para o clube de fotografia que montaremos na escola. O evento foi feito no auditório da escola e contou com a lotação das 7 turmas da 3ª série e tivemos a participação mais que especial de uma palestra sobre fotografia do amigo e fotógrafo profissional Daniel Martins do www.9d.com.br.

    Clique nas miniaturas abaixo para apreciar os trabalhos e ver os nomes das turmas e autores.

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  • Prova de química – show de resposta.

    Recebi esse texto por e-mail da Angela Galvão. Não sei se ele foi inventado ou se o que aconteceu procede. De todo modo é muito bom e mostra que a criatividade pode ser usada de maneiras improváveis. Leiam:

    Pergunta feita pelo Professor Fernando, da matéria Termodinâmica, no curso de Engenharia Química da FAETEC em sua prova final.

    Este Professor é conhecido por fazer perguntas do tipo ‘Por que os aviões voam?’ Nos últimos exames, sua única questão nesta prova para a turma foi:
    ‘O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta’

    http://3.bp.blogspot.com/_lVGRixME2iM/SKKKeD_ylyI/AAAAAAAAAc0/hvHDaknQ7dY/s400/diabinho.jpgVários alunos justificaram suas opiniões baseados na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma.. Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

    Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas.

    Agora postulemos que as almas existem; assim elas devem ter alguma massa e ocupam algum volume. Então um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume. Então, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno?

    Podemos assumir seguramente que, uma vez que certa alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Logo, não há almas saindo.

    Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia.

    Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno…

    Se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus, você vai para o inferno.

    Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno.

    A experiência mostra que poucos acatam os mandamentos.

    Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno.

    A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções:

    1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO.

    2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto ENDOTÉRMICO.

    Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da FAETEC me disse no primeiro ano: ‘Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar’ e, levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira.

    ‘Por isso, o Inferno é Exotérmico’.

    O aluno Thiago Faria Lima tirou o único 10 da turma.

    CONCLUSÕES:

    1) ‘A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original.’

    (Albert Einstein)

    2) ‘A imaginação é muito mais importante que o conhecimento.’

    (Albert Einstein)

    3) ‘Um Raciocínio Lógico leva você de A a B.

    A Imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser.’

    (Albert. Einstein)

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  • Especialização CEFET MA PROEJA – Alteração de datas.

    Recebi esse comunicado da Profª Regina Muniz, coordenadora do curso de especialização, e compartilho aqui com todos:

    Informamos que os períodos de oferecimento do Curso de Especialização em Educação/PROEJA foram alterados de 06 a 11/10/08 para 10 a 15/11/08 e de 17 a 22/11/08 para 24 a 29/11/08, em função das eleições. Os demais períodos permanecem inalterados.

    Gratos pela compreensão

    Profª Regina Muniz

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  • Especialização PROEJA no Cefet-MA.

    Olá leitores(as). Estive ausente por mais de 1 mês do blog devido às múltiplas atividades em busca de conhecimento e sobrevivência financeira.

    Em agosto deste ano comecei a fazer uma especialização no CEFET-MA (Centro federal de Educação tecnológica do Maranhão) Unidade São Luís cujo nome oficial é Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Educação Profissional Integrada com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos, mas para resumir vou chamá-lo de PROEJA.

    Para ingressar no curso foi feita entre abril e maio de 2008 uma seleção entre os servidores públicos federais (Cefet’s e Unidades de Ensino Descentralizadas – Uned’s), estaduais (Secretaria de Educação – SEDUC) e municipais (Secretaria Municipal – SEMED). Só soube da selação faltando 3 dias para o encerramento do prazo e, como professor de Arte lotado na SEDUC, me inscrevi apresentando currículo comprovado e uma carta de intenção explicitando o motivo por que era importante eu fazer essa pós-graduação.

    O curso terá no total 420h, dividas em 7 módulos e cada módulo durando 1 semana por mês com aulas de segunda à sábado, das 8h às 18h30. Ou seja, bastante corrido e puxado. Ao todo foram formadas 3 turmas pois foi contabilizado cerca de 120 alunos, dentre estes professores de São Luís e a grande maioria do interior do estado, principalmente dos Cefet’s e Uned’s. Já tivemos os dois primeiros módulos em que trabalhamos as disciplinas Fundamentos da Psicologia Aplicados ao EJA; Metodologia de Pesquisa I; Políticas Públicas Inclusivas e Políticas Públicas para o EJA.

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    Mesmo que esta não seja a pós que eu mais gostaria de ter (minha vontade é o mestrado e doutorado em Design ou em Arte) as aulas estão sendo muito proveitosas na minha avaliação já que contamos com professores mestres e doutores de ótima qualidade conhecedores na área de educação. Nos debates em sala de aula estou podendo estudar conceitos novos e reelaborar outros que tinha mal formados por leituras fragmentadas na universidade e pessoalmente. Também contamos com ótimos participantes entre os alunos, gente com formação bem diversificada da minha, riqueza de experiências educacionais e de vida que só fazem colaborar para obtenção de conhecimento. Enfim, tem sido 1 semana por mês puxada mas prazerosa.

    Como culminância da pós graduação, que deve acabar em janeiro de 2009, vamos apresentar um artigo científico relacionado à área. Como já atuo há certo tempo com o público de Educação de Jovens e Adultos e peguei agora uma turma de EJA Profissionalizante escolhi, quase que inevitavelmente, falar sobre a experiência com meu material didático – a Apostila de Arte – Artes Visuais - que disponibilizo aqui (tamanho do arquivo – 6.87MB) no Blogarte pra ser baixada gratuitamente e que penso em publicar na forma de livro no futuro. Em outras postagens vou detalhar melhor sobre meus objetivos em relação ao artigo. Por enquanto vou disponibilizar os slides usados pelos professores e elaborados pelos grupos da minha turma para as apresentações e debates em sala de aula. Infelizmente não poderá ser baixado por todo mundo, apenas pelos alunos da especialização, pois são slides dos professores do Cefet e não fui autorizado a divulgá-los livremente, portanto o arquivo compactado com os slides tem uma senha para ser descompactado. Essa senha foi dada por mim à minha turma e também enviarei por e-mail a cada um que estiver na lista que possuo. Clique aqui (tamanho do arquivo – 18,22 MB) para baixar o arquivo compactado dos slides. E clique aqui (tamanho do arquivo – 8,89 MB) para pegar as fotos da turma do 2º módulo em setembro (esse não precisa de senha).

    Em breve darei mais notícias. Garcia Junior.

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  • Governo do Maranhão mente quando diz que paga o melhor salário para professores

    Está sendo veiculada na mídia que o Governo do Estado do Maranhão paga o salário mais alto  do país para professores do ensino público. ISSO É UMA CAMPANHA MENTIROSA! Será que este atual “desgovernador” e o agrônomo, “especialista em educação de batatas”, atual secretário de educação não tem receio em mentir descaradamente sobre dados que podem ser refutados com uma rápida pesquisa? Vejam aqui as informações sobre a educação no país e tirem suas conclusões:

    Época revela cenário do ensino público e situação de educadores 

    A revista Época (Edição 517, 11/04/08) em sua matéria ‘O que faz um professor’ oferece aos profissionais de educação do país e à sociedade em geral uma ampla análise da situação dos professores da rede de ensino pública. Revela um perfil inédito do professor no Brasil a partir dos dados do EducaCenso, o novo censo da educação, ao qual a revista teve acesso com exclusividade e mostra que dois em cada dez professores trabalham em mais de uma escola. E que 36% deles dão aula em mais de um turno (manhã, tarde ou noite).

    ImageO que faz um bom professor

    Depois de 22 anos ensinando inglês na rede estadual de São Paulo, a professora Cristina Campos trocou as salas de aula por uma biblioteca pouco freqüentada. Dentro da escola onde lecionava, conta as horas entre livros que não saem das prateleiras. Ela fez faculdade de Letras e Pedagogia e estudou nos Estados Unidos por um ano. Cristina lembra que, quando era professora, assinava revistas estrangeiras e gravava fitas para os alunos ouvir em aula. “Mas não importa o esforço, o salário não muda. Em algumas classes não tinha nem tomada para o meu gravador”, afirma. “Desisti. Agora, espero o tempo passar para me aposentar.”

    Em outra escola da rede paulista, há 25 anos a professora de Português Silvia dos Santos Melo corre de uma sala para outra para dar conta de cada aluno de suas dez turmas de ensino médio. Para o que não ouve direito, ela fala mais alto. Para o que está deprimido, traz um poema. Para o que passa a aula rabiscando o caderno, organiza um campeonato de desenho. “Eu faço tudo para conquistar meus alunos. Não desisto de nenhum.” Sem que ninguém peça, Silvia elabora novos projetos para sua aula e para a escola, como uma radionovela feita pelos alunos para exercitar estilos de linguagem. É uma das professoras que menos faltam. Há oito anos operou um câncer de mama. Continuou dando aula durante a quimioterapia.

    Dos professores da 5ª série ao ensino médio, 11% acumulam mais de dez turmas Cristina e Silvia são dois extremos. Histórias como a de Silvia costumam ser citadas como exemplo. O ideal em que os outros devem se espelhar. Mas são poucos os profissionais que conseguem superar os obstáculos que fizeram Cristina desistir: salário baixo, falta de estrutura, excesso de alunos. Esperar pela aposentadoria acaba sendo o destino de muitos como ela, qualificados e com experiência.

    Um desperdício

    Os índices de educação de um país estão diretamente relacionados a seus professores. Estudos mostram que, depois do perfil socioeconômico do aluno, o professor é o fator mais relevante para o aprendizado. Um deles é do estatístico americano William Sanders, da Universidade da Carolina do Norte. Ele desenvolveu um método que mede a contribuição de cada professor ao aprendizado da turma. Concluiu que as notas de alunos com o mesmo perfil podem variar dependendo do professor com quem estudam. “Os efeitos do mau ensino são mensuráveis até dois anos mais tarde, independentemente da boa qualidade dos outros professores”, escreveu. “Entre as variáveis da escola que influenciam o desempenho do aluno, a formação do professor é um dos fatores mais importantes”, afirma Reynaldo Fernandes, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), ligado ao Ministério da Educação (MEC). Mas como identificar os bons e maus profissionais? Qual é a melhor maneira de investir neles para garantir o desenvolvimento das futuras gerações?

    Um perfil inédito do professor no Brasil ajuda a responder a essas perguntas. São os dados do EducaCenso, o novo censo da educação, ao qual ÉPOCA teve acesso com exclusividade. Pela primeira vez, o Inep colheu informações sobre cada professor, da creche ao final do ensino médio. O cruzamento dos dados revelou que dois em cada dez professores trabalham em mais de uma escola. E que 36% deles dão aula em mais de um turno (manhã, tarde ou noite). A conseqüência do trabalho dobrado é que, enquanto vai de uma escola para outra, o professor sacrifica o tempo para planejar a aula e corrigir trabalhos. O problema é agravado pelo excesso de alunos. Um em cada dez professores da 5ª série ao ensino médio dá aula para mais de dez turmas por semana. São cerca de 400 alunos por professor. “O excesso de alunos pode prejudicar a aula. O professor não consegue pedir redação. Prova, só se for de múltipla escolha”, afirma José Marcelino de Rezende Pinto, professor de Política e Gestão Educacional na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto.

    A formação do professor é a segunda carência apontada pelo censo. Entre profissionais do ensino fundamental e médio, 17% não têm a escolaridade mínima exigida para dar aula. São alfabetizadores que não completaram o ensino médio e professores de Física ou História que nunca foram à faculdade. O cenário não é muito diferente nas escolas privadas, nas quais 27% dos professores não têm ensino superior. Na rede pública, o índice é de 30%.

    Melhorar a educação é uma tarefa complexa. O último resultado do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) revelou que o aluno médio brasileiro termina a 4ª série sem dominar as quatro operações matemáticas básicas: somar, subtrair, multiplicar e dividir. E que chega ao ensino médio incapaz de interpretar um texto. No Programa Internacional de Avaliação de Alunos, que avaliou 57 países, o Brasil ficou em 53º lugar em Matemática, 52º em Ciências e 48º em leitura. “Há uma constante entre os países que conseguem os melhores resultados em educação: investimento na formação, valorização e respeito ao s professor”, afirma Hendrick van der Pol, diretor do instituto de estatísticas da Unesco.

    Nenhum país pode depender de heróis como Silvia. Nem se dar ao luxo de perder profissionais qualificados e com experiência como Cristina. “Para ser professor hoje, mais que talento e disposição, é preciso altruísmo e coragem”, afirma Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação. “Precisamos avançar do modelo de professores-heróis para o do profissionalismo.” Quais são os passos desse desafio?

    1. Oferecer boa formação
    A formação do professor no ensino superior é condição essencial. Um estudo feito em 25 países pela empresa de consultoria de gestão McKinsey revelou que os dez melhores sistemas de ensino do mundo exigem treinamento específico de seus professores. Um estudo internacional, que compara 79 países, destacou Cingapura como o melhor desempenho. O país seleciona seus professores entre os 30% formandos de melhores notas nas faculdades. Entre eles, ainda há testes para checar o conhecimento e entrevistas para avaliar o comprometimento. Só um em cada seis é contratado.

    Uma seleção tão rigorosa está distante da realidade no Brasil. Aqui, muitos não cumprem nem a formação mínima para dar aula. Para ser professor a partir da 5ª série, é preciso curso superior e uma licenciatura em faculdade de Educação. Hoje, 23% dos professores dessas séries não cumprem o requisito. Para dar aula da 1ª à 4ª série, o diploma universitário não é obrigatório, mas especialistas argumentam que deveria ser. “É fundamental que esses professores passem pela faculdade, as séries iniciais são a base do desenvolvimento do aluno”, diz Roxane Rojo, professora do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas. É nessa fase que a criança aprende a organizar a linguagem e fazer os cálculos matemáticos básicos, que vai usar em todas as disciplinas no futuro.

    Para incentivar seus professores a ir à faculdade, o Estado do Tocantins estabeleceu uma contrapartida salarial. Quem tem diploma universitário ganha a partir de R$ 2.020. É 130% a mais do que a base de R$ 877 de quem fez apenas o curso normal (antigo magistério). Em parceria com universidades, o Estado ofereceu cursos durante as férias escolares. Hoje 92% dos professores da rede têm curso superior completo. A professora Neuseny Carvalho foi uma das que trocaram oito férias escolares pelo diploma. Depois de dez anos ensinando Cências com o que aprendeu no curso normal, ela se formou em Ciências Químicas em 2004. “Minha aula mudou, comecei a buscar a ligação entre o conteúdo do curso e a realidade dos meninos. Ficou mais interessante para eles e para mim.”

    A lição que Neuseny aprendeu precisa agora ser ensinada a muitas faculdades. Os cursos de Pedagogia são criticados por dar ênfase à teoria em prejuízo da prática. “Esses cursos formam pensadores da educação, não professores”, diz Ryon Braga, consultor em educação. É comum que os graduandos fiquem íntimos das teorias de Jean Piaget e do brasileiro Paulo Freire, propositores de métodos para formação de crianças e adolescentes, mas cheguem à escola sem saber como recuperar um aluno que, na 4a série, ainda não aprendeu a ler.

    Foi investindo na prática que a cidade de Boston ganhou o Grande Prêmio para Educação Urbana 2006, um dos mais importantes da área nos Estados Unidos. A cidade criou um curso inspirado na residência médica, que dura 13 meses. Os recém-formados observam um professor experiente nas melhores escolas da cidade. Depois dão aulas, com supervisão. Seus orientadores são contratados apenas para isso e acompanham no máximo 14 residentes por vez. No Brasil, o estágio costuma ser feito com as outras disciplinas da faculdade, e os orientadores supervisionam mais de 30 formandos ao mesmo tempo.

    O Brasil enfrenta ainda o problema da formação em lugares de difícil acesso, onde não há universidades. Para esse problema, o governo aposta no ensino a distância. O MEC montou um programa chamado Universidade Aberta do Brasil (UAB), cujas primeiras turmas começaram a ter aulas no segundo semestre do ano passado. Universidades e centros federais de educação são responsáveis pela formulação dos cursos. Cabe aos governos municipais montar pólos presenciais, onde o aluno encontra computadores, biblioteca, laboratórios e tutores para realizar algumas atividades. Hoje, 291 cidades contam com pólos, e o MEC prevê a abertura de mais de 271 até o fim do ano.
    Mas há suspeitas sobre a qualidade da formação que o professor vai receber. Como ele não assiste presencialmente às aulas, o curso precisa de um sistema para monitorar se ele leu os textos e participou das discussões. Também é fundamental que os encontros sejam bem aproveitados. E isso não é garantido. Para Vani Kenski, diretora da Associação Brasileira de Educação a Distância, a qualidade do programa pode ser prejudicada devido ao salário dos tutores. O governo paga R$ 500 por mês para os únicos profissionais com quem o aluno se encontra. “É difícil imaginar que quem aceita ganhar esse salário tenha uma formação de qualidade”, diz Vani.

    2. Manter os professores atualizados
    A maioria dos cursos de formação continuada para professores é programada para o fim de semana, quando a vontade de se aprimorar compete com o cansaço. Foi o caso da professora da 4ª série Ires Alves Feitosa. No último curso que fez, em 2004, aprendeu uma técnica que aplica toda aula. Lê uma história e, depois, pede para a turma contar com outras palavras. “Em seis meses, estão escrevendo histórias sozinhos”, diz. Apesar do bom resultado do curso, ela nunca mais estudou. Trabalhando em duas escolas, Ires dá aula de manhã e à tarde. À noite, tem reunião de planejamento. “Saio de casa às 6h30 e chego às s 21 horas. No fim de semana, preparo as atividades, corrijo trabalhos e preciso descansar.”
    Reservar um tempo de aperfeiçoamento dentro das horas de trabalho tem apresentado bons resultados no Japão. A prática é considerada pela Unesco como modelo de formação de professores. Eles são observados pelos colegas, que apontam as boas práticas e o que pode ser melhorado. Em encontros periódicos, usam a experiência para desenvolver novos modelos de aula. Toda discussão é registrada e pode ser vendida em livrarias. Quando outro professor quiser desenvolver projeto semelhante, consulta o livro e conserta as falhas.

    3. Remunerar de forma motivadora
    Ao invés de atrair os talentos, o Brasil os espanta das escolas. Foi o que aconteceu com Adriana Lindaura de Souza Rocha, 2ª colocada no vestibular da Universidade Federal de Pernambuco. Ela largou a licenciatura em Química no primeiro ano depois de conhecer colegas que trabalham em dois turnos e visitar escolas onde falta material de aula. “Descobri que ser professora é fazer trabalho de militância”, afirma. “Não é a minha.” Adriana passou no vestibular para Direito. Pretende, depois de formada, ser professora universitária.

    O Estado que perdeu a futura professora é o que pior paga à categoria, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o Inep. O salário inicial para professores com ensino superior em Pernambuco é de R$ 599 para 30 horas semanais. Menos de R$ 5 por hora. Desde abril do ano passado, um projeto de lei federal que poderia ter feito Adriana mudar de idéia aguarda votação no Congresso. O projeto cria o primeiro piso salarial para os professores, de R$ 950 para 40 horas semanais.

    O piso é fundamental para garantir que professores possam sobreviver trabalhando em apenas uma escola. Mas é apenas o primeiro passo. Na maioria das redes, o salário hoje progride de acordo com o tempo de serviço. É um sistema que iguala os esforçados aos acomodados. É preciso criar um plano de carreira que estimule os professores mais dedicados e com maior qualificação. “O profissional pode ter ótima formação, mas, se estiver frustrado, são poucas as chances de que vá dar uma boa aula”, afirma Romualdo Portela, pesquisador de política educacional na Universidade de São Paulo.

    Estados como Minas Gerais começam a testar novos planos de carreira. Os professores contratados a partir de 2007 progridem de acordo com seu desempenho e formação. As escolas fazem uma avaliação individual de cada professor levando em conta fatores como sua assiduidade e a progressão das notas de sua turma. Se o professor tiver avaliação abaixo de 60% por dois anos consecutivos, o governo diz que abrirá um processo de exoneração. O plano é bom. Mas enfrenta resistência do sindicato. Os professores afirmam que o próprio Estado não lhes dá condições mínimas de trabalho para cumprir as exigências do plano. “As escolas aqui ainda usam mimeógrafo. Temos salas superlotadas. Falta até giz”, diz Antonio Braz, diretor do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais. “Para o governo fica fácil jogar a responsabilidade nas costas do professor.”

    4. Cobrar resultados e avaliar o desempenho
    Responsabilizar os professores pelo aprendizado de seus alunos é a aposta da política adotada pelos Estados Unidos. Desde 2002, quando a lei No Child Left Behind (Nenhuma Criança Deixada para Trás) foi aprovada, Estados e municípios americanos criam meios de cobrar seus professores. O sistema funcionou em alguns Estados, mas em outros gerou novos problemas. Segundo Richard Ingersoll, professor de Sociologia e Educação na Universidade da Pensilvânia, os Estados que exageraram na cobrança e não deram as condições de trabalho necessárias para a mudança tiveram uma alta nos pedidos de demissão e transferência entre os professores mais qualificados.
    Ingersoll defende autonomia para o profissional tomar as decisões quando ele é cobrado pelos resultados. “Não é justo exigir que os alunos aprendam certos conteúdos se o professor não tem liberdade para definir o currículo de sua aula. Nem que mantenha 40 adolescentes em silêncio, se eles sabem que ele não tem autoridade para puni-los”, afirma. No Brasil, o quadro não é diferente. “Nossos professores viraram executores. Recebem o material didático pronto e aplicam”, diz a pedagoga Célia Giglio, coordenadora do curso de Pedagogia no campus de Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

    A solução para o problema, segundo Célia, é dar autonomia para o professor propor suas idéias e criar um tempo dentro de sua grade horária para que ele possa elaborá-las. Com esse espaço garantido, aí é hora de cobrar pelo bom andamento de seu trabalho. Célia implantou esse sistema, como diretora da escola estadual Condessa Filomena Matarazzo, na periferia de São Paulo, por 13 anos. Havia reuniões bimestrais nas quais os professores tinham de apresentar o desempenho de seus alunos e propor intervenções. Segundo ela, nas primeiras reuniões, os professores se desviavam. “Comentários sobre o sono em aula, pais que estão se separando e até a roupa rasgada do adolescente serviam de justificativa para o baixo desempenho dos alunos.” Célia então passou a convidar os próprios alunos para as reuniões. Aí o tom da discussão mudou. “Em uma reunião, os estudantes revelaram que a professora havia passado as respostas da prova na lousa”, diz Célia. “Ela fez isso porque havia faltado muito naqueles meses e não teve tempo de passar o conteúdo.”

    Hoje, o Brasil já tem muitas avaliações de desempenho do aluno. E como avaliar o trabalho do professor? Nos EUA, o modelo mais completo é o de Sanders, da Universidade da Carolina do Norte. Ele projetou um desempenho-padrão para cada aluno, a partir de seu histórico de notas. Para calcular a contribuição do professor, ele compara a nota de cada aluno ao padrão que se esperaria dele. Se, na mesma sala, muitos tiverem desempenho melhor que o esperado, o professor fez um bom trabalho. Se muitos apresentarem queda, o professor falhou. Mas o sistema de Sanders é caro e, mesmo nos EUA, são poucos os Estados que podem pagar sua consultoria. No Brasil, poucas redes têm um sistema de avaliação docente. O Estado de São Paulo está desenvolvendo um para avaliar a equipe escolar. Ele vai premiar todos os funcionários da escola, de acordo com o desempenho dos alunos. O mérito do plano é estimular o trabalho em equipe. Mas é mais um plano que enfrenta resistência do sindicato – porque a avaliação serve para distribuir bônus e não tem relação com o plano de carreira.

    Construir novos planos de educação em aliança com os sindicatos é um dos maiores desafios dos gestores de educação no Brasil. “Ninguém melhora educação por decreto, para chegar à escola precisa de consenso com quem está nela”, afirma Mozart Ramos, presidente do Todos pela Educação, movimento de entidades empresariais pela melhora do ensino no país. Para o consultor em educação espanhol Miguel Arroyo, os planos de avaliação e cobrança devem ser feitos com cuidado para não partir de um falso pressuposto: que o problema da educação é falta de empenho dos professores.

    “Então dar aula para 45 alunos em três turnos por dia não é esforço?” Entre os especialistas há discordância sobre qual a melhor maneira de formar, remunerar e cobrar o professor. Mas todos concordam em um ponto: ele não pode ser tratado como o inimigo. “Nenhum sistema de ensino consegue bons resultados se não respeitar os profissionais que estão na sala de aula”, diz Ingersoll. Ele lembra que o professor não é como qualquer outro profissional. “A sua satisfação não é ficar rico ou ter poder, mas construir uma carreira com impacto positivo sobre a comunidade”, afirma. “Os professores são os primeiros a querer bons resultados.”

    11.04.2008 Revista Época

    E tem mais:

    Professor estadual de Pernambuco é o mais mal pago do País

    Blog de oposição ao Sintepe denuncia questão há tempos

    A Folha de S.Paulo publica na sua edição de hoje uma tabela onde mostra que o salário do professor estadual em Pernambuco, por hora-aula, é o mais baixo do País (R$ 3,03). O levantamento, feito pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação e confirmado pela reportagem da Folha via telefone, levou em conta os pisos os professores que têm licenciatura plena (curso superior). Os mestres do Acre, Roraima, Tocantins e Alagoas ganham quatro vezes mais que os pernambucanos.

    Eis a tabela completa:

    Estado (Valor da hora-aula em reais)

    Acre (13,16)

    Roraima (12,89)

    Tocantins (12,62)

    Alagoas (10,46)

    Mato Grosso (9,04)

    Rio de Janeiro (8,78)

    Amazonas (8,31)

    São Paulo (8,05)

    Paraná (7,53)

    Rio Grande do Norte (7,23)

    Maranhão (7,21)

    Goiás (6,77)

    Amapá (6,71)

    Paraíba (6,65)

    Rondônia (6,47)

    Espírito Santo (6,44)

    Minas Gerais (6.25)

    Bahia (6,14)

    Distrito Federal (5,77)

    Mato Grosso do Sul (5,65)

    Rio Grande do Sul (5,39)

    Sergipe (5,27)

    Pará (5,08)

    Santa Catarina (4,93)

    Piauí (4,62)

    Ceará (4,46)

    Pernambuco (3,03)

    ========================================================

    Isso foi divulgado pela Folha de São Paulo (não pelo Jornal Pequeno, claro).

     

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  • Banco de imagens de História da Arte

    Este é o maior banco de imagens de História da Arte que eu já encontrei na internet até agora. É da Universidade de Utah – Estados Unidos, portanto a pesquisa tem de ser feita em inglês, of course. Possuem um sistema de busca interno que funciona com palavras chaves. Demora um pouco pra se acostumar mas depois fica fácil. O problema é são milhares e milhares de imagens em ótima resolução de esculturas, pinturas e obras arquitetônicas e você pode demorar um certo tempo até achar exatamente a imagem que precisa pra uma aula, trabalho ou referência, mas você acabará achando…

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